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Notícias e Eventos

Conheça as defensoras dos direitos de meninas de todo o mundo

  • De Malika Saada Saar
  • Global Head of Human Rights Partnerships
  • 11.Out.2021
No Dia Internacional das Meninas, o YouTube homenageia as jovens e meninas que lutam, sonham e trabalham por um mundo mais justo para as meninas de todo o mundo. Nesta ocasião, reconhecemos também as defensoras dos direitos das meninas no Afeganistão – aquelas que perdemos e aquelas que ainda lutam por seus direitos e liberdades.

No Dia Internacional das Meninas, o YouTube homenageia as jovens e meninas que lutam, sonham e trabalham por um mundo mais justo para as meninas de todo o mundo. Nesta ocasião, reconhecemos também as defensoras dos direitos das meninas no Afeganistão – aquelas que perdemos e aquelas que ainda lutam por seus direitos e liberdades.

Hoje, com a participação de notáveis defensoras dos direitos das meninas e de médicos especialistas, estamos lançando Body of Knowledge. Trata-se de uma série de conteúdo que fornece informações claras e confiáveis a jovens mulheres e meninas sobre saúde e bem-estar, criada em parceria com a Academia Americana de Pediatria,Young Women’s Freedom Center, e a organização Vital Voices Global Partnership. As defensoras dos direitos das meninas entendem que jovens mulheres e meninas precisam ter informações precisas sobre seus corpos para exercer total agência sobre eles, pois conhecimento equivale a poder, sempre. Em conversas com especialistas em saúde de adolescentes da AAP, que oferecem informações simples e precisas do ponto de vista médico, e com a criadora e ativista Hailey Sani, essas diversas vozes falam no YouTube e em shorts do YouTube sobre questões cruciais à saúde: segurança, consentimento, saúde mental, autocuidado e bem-estar sexual.

Cada uma delas está recriando um mundo em que todas as jovens e meninas – cis, trans e em expansão de gênero – possam ter saúde, segurança e liberdade. É uma honra contar com a sua participação – assim como a das defensoras dos direitos das meninas de diversas partes do mundo – no Body of Knowledge.

Esperamos que você se conecte e participe da conversa em #BodyofKnowledge.

Descubra o que você pode fazer para apoiar essa iniciativa e conheça abaixo algumas das defensoras dos direitos das meninas que estão assumindo a missão de defender, apoiar e empoderar meninas de todos os lugares.


Aarna

Aarna


Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Na condição de jovem negra, experimentei na pele as várias barreiras e ameaças enfrentadas pelas mulheres e tive que me conscientizar delas. Sou apaixonada pela questão dos direitos das mulheres porque quero garantir que as futuras gerações de mulheres não tenham que viver com medo ou vergonha. Acredito que é importante empoderar e celebrar todas as mulheres.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

A maior ameaça aos direitos das mulheres é o policiamento e a violação constante dos nossos corpos. Da proibição do aborto à violência sexual, passando pela objetificação sexual na mídia, os corpos de jovens mulheres são explorados pelo olhar masculino, dando a nós a sensação de que os nossos corpos não são nossos, mas sim propriedade de outras pessoas.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Para defender os direitos das mulheres, uma alternativa é apoiar organizações como RAINN e National Organization of Women. Porém, a coisa mais importante que nossos aliados podem fazer é encorajar e empoderar as mulheres em suas próprias vidas. É importante iniciar conversas sobre consentimento, autonomia corporal e justiça reprodutiva. Certifique-se de que esteja tratando as mulheres da sua vida com respeito e dignidade e garantindo que as pessoas ao seu redor façam o mesmo.


Brittany

Brittany


Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Tenho um profundo compromisso de criar um mundo em que todas as meninas possam viver em paz e livres de todas as formas de violência, com acesso a todo o necessário para uma vida saudável, digna, em que se sintam honradas e possam realizar todos os seus sonhos. Há mais de uma década venho trabalhando incansavelmente com organizações como Girls for Gender Equity, Sadie Nash Leadership Project, Vera Institute for Justice e Advocates for Youth para garantir que essa visão se torne realidade.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

Infelizmente, existem muitas ameaças aos direitos das meninas, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Estou especialmente preocupada com as repetidas ameaças à justiça reprodutiva e à igualdade reprodutiva de meninas cis e trans e de jovens não binários, especialmente aqueles não brancos. Os jovens merecem um mundo que lhes ofereça acesso irrestrito ao poder, recursos e apoio para tomar decisões esclarecidas sobre seus corpos, identidades e saúde sexual e reprodutiva.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Há muitas maneiras de apoiar os direitos das meninas, especialmente no que se refere aos seus direitos à segurança, autonomia, saúde e justiça reprodutiva. Recomendo que as pessoas se informem sobre o trabalho de descriminalização do ambiente escolar para meninas, principalmente meninas negras e jovens negros. Outras ações incluem a defesa em nível local, estadual e nacional da educação primária e secundária, além da codificação da lei Title IX, que proíbe a discriminação de gênero, nos níveis locais em todos os estados dos EUA. Finalmente, é importante redistribuir fundos e fazer doações para organizações que trabalham junto com as meninas para centralizar sua liderança, remodelar as estruturas de poder e atender às demandas de todos os jovens.


Candela

Candela

Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Sou ativista dos direitos de jovens mulheres e meninas porque vivo em uma cultura obcecada pelo corpo feminino e, todos os dias, observo desigualdades de gênero na educação, no trabalho e no bem-estar de meninas e mulheres.

O que me inspira é a esperança de que a nova geração cresça livre dos ditames sociais e possa cuidar da sua saúde mental, física e emocional, de forma a prevenir a insatisfação com o próprio corpo, a baixa autoestima e os transtornos alimentares.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

A maior ameaça aos direitos das meninas é nos vermos como um objeto, um ornamento. Nossa aparência física é muito enfatizada, e somos mais valorizadas pelo nosso corpo do que pelo nosso potencial. Essa objetivação gera violência simbólica e física, leva a uma baixa autoestima e insatisfação com o próprio corpo, prejudica nosso bem-estar e causa inibições no dia a dia, no desempenho profissional e nas relações interpessoais. Chegou a hora de sermos valorizadas por quem somos, não por nossa aparência.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Uma forma de participar é analisar e identificar privilégios, fomentando o pensamento crítico em favor da aceitação social da diversidade corporal, sexual e de gênero. Parar de criticar o corpo das outras pessoas e respeitar as escolhas que cada pessoa faz sobre seu corpo. Questionar preconceitos e rótulos sociais, valorizar as mulheres por suas habilidades, e não por sua aparência. Consumir marcas que promovam a diversidade. E o mais importante: apoiar organizações que trabalham, dia após dia, pela igualdade de gênero.


Haleema

Haleema


Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Na infância, assisti a várias formas de violência de gênero, como assédio sexual, violência estatal e violência doméstica, o que me causou grande impacto. Quando eu era criança, não entendia por que isso acontecia nem como seria possível impedir que acontecesse. A jornada que percorri até me tornar uma jovem me deu poder para agir, falar o que penso e tomar providências. Consegui desenvolver minha própria voz graças a mulheres adultas TGNC (transgêneras e em não conformidade de gênero) que me serviram de modelo e me deram orientação sobre o assunto. Eu sou um ativista pelos direitos de mulheres, meninas* e jovens em expansão de gênero, pois não posso viver sabendo que metade da nossa sociedade está sendo reprimida, oprimida e prejudicada. Lutar pelas necessidades das meninas e jovens em expansão de gênero é lutar por direitos humanos fundamentais que, quando respeitados, beneficiam a todos. Quando as meninas prosperam, todos prosperamos.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

A maior ameaça aos direitos das meninas* hoje em dia são normas culturais tóxicas que permeiam todos os níveis da nossa sociedade e influenciam os meios de comunicação, as políticas governamentais e o comportamento das pessoas. São exemplos dessa norma a cultura do estupro e o binário de gênero que resulta na prática de violência contra meninas* e jovens em expansão de gênero. No Alliance for Girls, acreditamos que é imperativo que nossa ação inclua uma narrativa intencional e uma estratégia cultural que combatam essas normas nocivas e criem novas normas no seu lugar.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Meninas e jovens em expansão de gênero precisam de adultos atenciosos que possam apoiá-los. Além disso, elas devem ter acesso a programas sensíveis a questões de gênero e a recursos que atendam às suas necessidades. Para isso, as organizações de meninas devem contar com o financiamento adequado, e nossas agências governamentais devem ter meninas em posições de liderança para influenciar as decisões políticas que afetam suas vidas. Todos os dias, as pessoas têm o poder de realizar mudanças. Penso em líderes como Santana, uma ativista trans que luta por um transporte público mais seguro na Baía de São Francisco, ou na pesquisadora Uche, bem como nas pessoas incríveis que compõem o Conselho de liderança de jovens mulheres do Alliance for Girls, que lançaram luzes sobre os problemas enfrentados pelas meninas durante a pandemia de COVID-19. Todos os dias, elas me inspiram com sua militância e me lembram do poder que cada uma de nós possui de falar, agir e promover mudanças.

* “Meninas” refere-se a jovens em expansão de gênero (meninas cis, meninas trans, jovens não binários, jovens em não conformidade de gênero, jovens de gênero queer e qualquer jovem que se identifique como menina).


Isla

Isla

Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Nasci em uma pequena cidade do interior do Brasil. Lá, éramos definidas por papéis em que a ascensão social das meninas se relacionava exclusivamente à maternidade e às tarefas domésticas, o que levava a evasão escolar, gravidez e casamento precoce. Meus pais, por outro lado, sempre me incentivaram a explorar todo o meu potencial por meio da educação. Hoje reconheço que foi isso que me salvou e me permitiu ser apenas eu mesma. Por isso, luto todos os dias para que mais meninas tenham a oportunidade de realizar seus sonhos e objetivos, independentemente dos ditames da sociedade.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

A maior ameaça aos direitos das meninas hoje é a ideologia patriarcal que limita nosso autoconhecimento, nossa crença em nosso potencial e nossa capacidade de estabelecer conexões verdadeiras com outras mulheres, com sororidade. Tendo crescido em uma sociedade estruturada a partir de um ponto de vista masculino, muitas vezes aprendemos a normalizar situações de violência ou limitação dos nossos direitos. E é exatamente por isso que precisamos construir uma rede feminina que reformule diversas crenças e construa uma sociedade que nos respeite plenamente.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Para apoiar as meninas em todos os lugares, é necessário buscar e divulgar o conhecimento de forma responsável, principalmente em relação à violência de gênero, a emancipação financeira e a autonomia sobre nossos corpos. Sempre que possível, devemos também promover espaços de diálogo consciente, apenas entre mulheres ou também com homens. Além disso, é importante apoiar organizações que promovam os direitos das mulheres e os direitos humanos em geral, como o Berço, por exemplo, adotando uma postura que questione as estruturas sociais e promova a equidade lidando com preconceitos de gênero, raça e classe.


Sage

Sage


Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Eu utilizo a minha voz para promover mudanças e impulsionar a luta pela libertação de todas as meninas por três motivos simples: privilégio, necessidade e medo. Tenho o privilégio de contar com um sistema de apoio, uma família, e de ter os conhecimentos necessários para usar a minha voz para o bem. O medo de existir em uma sociedade em que falta educação e em que a ignorância muitas vezes se traduz em violência impulsiona minha necessidade de transformar a sociedade e, portanto, a realidade em que existo. Em última análise, o que me tornou a agente de mudanças que sou hoje foi meu medo de continuar sendo vítima dessa violência, a necessidade que sinto de mudar o mundo e o privilégio que tenho de poder fazê-lo.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

Autonomia. Há uma guerra sendo travada contra nossos corpos e identidades como mulheres e meninas. Essa guerra já custou muitas vidas. Outras pessoas estão tomando decisões que deveriam ser tomadas por nós, que somos excluídas do processo. Com isso, estabelece-se um precedente perigoso, a ideia de que a autonomia sobre o próprio corpo não é um direito nosso. Em todo o mundo, meninas estão sendo criminalizadas e prejudicadas não apenas por líderes e políticos, mas por todos os cidadãos que permitem que nossos corpos sejam politizados e colonizados.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Elas podem e devem fazer frente a essas injustiças e lutar contra elas, educando sua comunidade por meio de ações online e nas ruas. As mudanças na cultura começam a partir de mudanças nos meios de comunicação e na legislação. Não podemos ficar paradas esperando que alguma mudança aconteça: devemos agir para promover mudanças nas nossas comunidades, salas de aula e locais de trabalho. Devemos assinar petições, chamar nossos representantes e boicotar e nos livrar de líderes empresariais e figuras públicas que apoiam ativamente esses sistemas de opressão.


Terriana

Terriana 


Por que você é ativista pelos direitos e bem-estar de jovens mulheres e meninas?

Decidi ser ativista pelos direitos de jovens mulheres e meninas porque precisamos de militantes que saibam o que é ser uma mulher jovem e ter que circular neste mundo. Eu queria mostrar às jovens que, mesmo depois de uma infância difícil, você sempre pode criar um futuro mais feliz, nos seus próprios termos, quando faz frente à situação e passa a defender os seus direitos e os direitos de outras meninas.

Qual é a maior ameaça aos direitos das meninas hoje em dia?

Acredito que a maior ameaça aos direitos das meninas hoje é a criminalização. É se ver presa em um sistema de pobreza e preconceito racial. A criminalização significa que você pode acabar em um reformatório por tentar sobreviver, por ser pobre, por ser negra, por ter doença mental e até por ter passado por algum trauma. Significa que, mesmo na escola, há um caminho que leva facilmente ao sistema de justiça juvenil. Se você der um passo em falso, os professores chamam a polícia. Em famílias de acolhimento, os pais e provedores chamam a polícia. Você não é vista como uma pessoa plena com o direito de escolher por si mesma, de praticar a autodeterminação. Outra ameaça aos direitos das meninas é a falta de recursos e moradia segura. As jovens mulheres precisam de moradia, espaços seguros e recursos para poder cuidar das suas necessidades e se colocar com confiança no mundo, sendo atendidas nas suas necessidades básicas.

O que as pessoas podem fazer para apoiar os direitos e o bem-estar das meninas de todos os lugares?

Elas podem defender os direitos das meninas exigindo que os sistemas destinados a protegê-las e atender às suas necessidades estejam desempenhando bem o seu papel, e não prejudicando-as. A prisão não é lugar para crianças, e as meninas não devem ser punidas pelo sistema por precisar sobreviver. Precisamos garantir que todas as meninas tenham acesso a comida, abrigo, amor, apoio e comunidade. Não devemos ser retiradas das nossas comunidades ou criminalizadas com base no nosso local de origem. Precisamos que todos invistam no poder e na liderança de jovens mulheres. Que nos deem espaço e recursos para escolhermos por nós mesmas, para praticar a autodeterminação.

Apoiar as organizações comunitárias que estão mantendo as jovens em uma situação segura, protegida e fora do sistema, principalmente as jovens negras, aquelas que vivem em situação de pobreza e as que vivem e trabalham nas ruas.